Sérgio Bento de Araújo, empresário especialista em educação, elucida que a permanência na EJA é um dos grandes desafios da educação contemporânea, especialmente quando se considera a realidade de estudantes que conciliam trabalho, responsabilidades familiares e retomada da vida acadêmica. A educação de jovens e adultos exige compreensão mais estratégica sobre o perfil do estudante que retorna à escola buscando novas oportunidades. Nesse cenário, fatores ligados à evasão escolar e à necessidade de flexibilidade educacional tornam-se centrais para a construção de experiências mais sustentáveis.
Neste artigo, vamos analisar os obstáculos enfrentados pelo aluno trabalhador e como as instituições podem responder com mais inteligência pedagógica. Se a permanência é prioridade, a adaptação institucional precisa fazer parte da estratégia.
Por que a permanência na EJA continua sendo um desafio?
A trajetória do estudante da EJA costuma ser marcada por interrupções educacionais, responsabilidades acumuladas e rotinas mais exigentes do que aquelas encontradas na educação regular tradicional. Muitos alunos chegam à sala de aula após jornadas intensas de trabalho, conciliando ainda compromissos familiares e limitações logísticas. A permanência na EJA depende, portanto, de fatores que vão além da qualidade do conteúdo oferecido. O desafio envolve tempo, energia, contexto de vida e capacidade de adaptação institucional.
Segundo uma leitura mais realista da educação de adultos, a evasão nem sempre acontece por falta de interesse ou motivação. Sérgio Bento de Araújo nota que muitos estudantes abandonam a trajetória acadêmica porque a estrutura educacional não dialoga com suas condições reais de permanência. Quando a escola exige padrões incompatíveis com a vida adulta, a continuidade se fragiliza mesmo entre alunos comprometidos com seus objetivos.
O que leva à evasão escolar nesse contexto?
A evasão escolar na EJA costuma ser consequência de um conjunto de pressões acumuladas e não de um único fator isolado. Exaustão física, dificuldades financeiras, conflitos de agenda e sensação de desconexão com a proposta pedagógica estão entre os elementos que mais impactam a continuidade. O aluno trabalhador frequentemente enfrenta decisões difíceis entre estabilidade profissional, responsabilidades pessoais e permanência acadêmica.
Alguns fatores aparecem com frequência nesse cenário:
- Jornadas de trabalho extensas;
- Dificuldade de conciliar horários;
- Cansaço físico e mental;
- Deslocamentos longos;
- Metodologias pouco conectadas com a realidade adulta;
- Sensação de baixa aplicabilidade prática do conteúdo.
Esses elementos mostram que evasão não deve ser interpretada apenas como falha individual. O empresário Sérgio Bento de Araújo entende que instituições mais maduras analisam permanência a partir das condições concretas do estudante e não apenas da expectativa institucional.

Como a flexibilidade educacional pode ajudar?
A flexibilidade educacional tornou-se componente estratégico para instituições que desejam fortalecer permanência e reduzir abandono na EJA. Isso não significa reduzir exigência acadêmica, mas adaptar formatos, metodologias e dinâmicas à realidade do público atendido. O estudante adulto precisa encontrar uma estrutura que reconheça sua rotina, respeite suas limitações práticas e preserve a qualidade da aprendizagem.
De acordo com uma visão mais contemporânea da gestão educacional, flexibilidade está ligada à inteligência pedagógica e não à simplificação do ensino. Sérgio Bento de Araújo ressalta que escolas mais consistentes compreendem que adaptar experiências de aprendizagem amplia engajamento e fortalece compromisso acadêmico. Quando a instituição cria condições mais viáveis de continuidade, a permanência tende a se tornar mais sustentável.
A educação de jovens e adultos precisa mudar sua abordagem?
A resposta é sim. A educação de jovens e adultos exige modelos mais conectados com a realidade do aluno contemporâneo, especialmente daquele que trabalha e carrega múltiplas responsabilidades. Reproduzir estruturas pensadas para perfis tradicionais reduz aderência e amplia desgaste. O desafio não está apenas em oferecer acesso, mas em criar condições reais de continuidade e conclusão da trajetória educacional.
Conforme cresce a complexidade desse público, cresce também a necessidade de estratégias institucionais mais responsivas. Sérgio Bento de Araújo explica que a permanência depende de uma leitura mais humana e estratégica sobre quem está em sala de aula. Quando a escola compreende o contexto do aluno trabalhador, constrói relações mais consistentes com aprendizagem e permanência.
Permanecer também precisa ser possível
A permanência na EJA exige muito mais do que abertura de vagas ou oferta de conteúdo. Integrar educação de jovens e adultos, a evasão escolar e ampliar a flexibilidade educacional permite construir trajetórias acadêmicas mais viáveis para quem busca recomeçar. Em um cenário em que o aluno trabalhador enfrenta múltiplos desafios, a permanência precisa ser tratada como prioridade estratégica.
Instituições que compreendem essa realidade conseguem transformar acesso em continuidade e oportunidade em resultado concreto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
